24 de jan. de 2011

DOS PODEROSOS ÍCONES - - 8ª Entrevista

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Para melhor entender as confusões mentais do Maluco, convém iniciar a leitura pela 1ª entrevista, de Jan 2010.
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 02-01-11 

Zoológico, numa tarde domingueira, a coincidência. Um desses astros de shows religiosos, exatamente aquele que ao pregar berra, se sacode todo e salta - provando sua origem nos primatas - inesperadamente, encontra o maníaco. 
E porque há tempos vinha preocupado com as futuras diretrizes a serem emitidas pelo pinel, em sua futura pátria,  antes que o maluco reconhecesse a dupla, de supetão  lhe pergunta  ...

— E os ícones religiosos, Pão Doce, como serão tratados  na pátria que governará?
— Olá, amigo! ... sem conflitos! Só doçura... risinhos de mel, gracinhas, coisa e tal. Como diz o meu refrão,  repetido pela humanidade: “não é com vinagre que se apanham moscas”. A todos agradarei. É meu estilo de governo.  Na construção da pátria, esses ícones religiosos serão nossos mais  dissimulados sócios. Lhes concederemos parte do que mais almejam.
Terão aparente campo livre, em conformidade com cláusulas do acordo secreto, ou tácito, que estabeleceremos. Os melhores atores e atrizes não serão os dos palcos tradicionais. Os mais talentosos da arte dissimulativa pulularão nos templos e salões, em shows de religiosidade.   
Pela validade artística, enquanto nos forem úteis, os manteremos recompensados de variadas formas. Não lhes faltarão válvulas vazantes nos dutos subterrâneos, em que  correrão nossas cifras geradas por entorpecentes, extorsões, peculatos e afanos aos  cofres públicos.
Daquelas válvulas verterão néctares irrecusáveis. De tal sorte que templos e mais templos, como carrapichos, brotarão da terra.
Dedicarei especial atenção aos ateus de mau caráter, que se fingem de crentes, na descarada profissão de estelionatários das crenças de fé; esses vigaristas, que se auto-apresentam ao povão leso, na condição de “diferenciados homens de Deus”. Por farsantes, saberei coletar seus ziguezagues para futuras ações desmascaradoras, a menos que se coloquem em extremado compromisso de fidelidade às minhas conveniências políticas.

Nesse instante, o rei dos shows de macacadas estranha e cala, fica ligado. Mas o  acompanhante, um gringo de fala enrolada, fingindo não pertencer à enorme confraria espalhada pelo mundo, se intromete perguntando, com algum sotaque...

— Mas, Pao Doce, eu como desentendida no assunto, perguntar: - será que o people por lá nao vai desconfiar de tanta brotaçao de templos, envolvendo tantos dolars?

Agora, já reconhecendo a dupla, o maluco  se desfaz da postura simplória e libera quem de fato é...

— Oportuno aparteador, intrometido gringo... Para quem não conhece a natureza do vulgo - o que não é seu caso - a dúvida seria aceitável. Os do povo, desprovidos de observações precisas, de nada desconfiarão! As referidas obras estarão distanciadas entre si, o que dificultará  a percepção da realidade.
Levantem-se! Sentem-se! Dançando! Balançando braços sobre a cabeça! Diga x,z  aos que estão a sua volta! Abrace os que estão a seu lado! Quem ouviu, levante a mão! Quem viu levante o braço! Cantem! Falando em línguas! Sentem-se! Levantem-se! Falem em línguas... e assim, os rebanhos irão se submetendo à sutil entrega mental, manobrados pelos hipnólogos nos templos e salões, sem a menor chance de se darem conta dos truques de sujeição que lhes vão sendo aplicados.
A ignorância mantém e  entrega a mente cega.
Após anos de obediência e idolatria aos manipuladores de suas cabeças - meu suspeito gringo – os rebanhos preferirão crer que - tanto aquela referida brotação, quanto as inúmeras reformas de templos e outras formas de empreendimentos comerciais - tudo será milagre da multiplicação, apenas e apenas, de seus dízimos, ofertas e compras – sem a menor suspeita quanto às constantes sugadas nos dutos dos meus porões. E nisso tudo - abusado gringo - você é o refinado mestre desse seu amigo, aí.    
Certamente, eu e os da sua corrente, e os de outros estilos de pregação, haveremos de nos dar bem, ao sermos do mesmo jaez: exímios camaleões, supremos na empulhação das mentes incapazes de pensar.
Os efeitos de satisfação pela fama de cada ícone religioso; bajulações recebidas em culto à personalidade; as enormes receitas resultantes de intensivas aparições nas mídias, a vida mansa, as deliciosas mamadas em nossos vazamentos subterrâneos; - todas essas benesses manterão vocês, ícones das fantasias, inteiramente satisfeitos, garantindo-me fraterna convivência, para sucesso do meu estilo de governo, na pátria maquiada. 
Entretanto, mesmo assim, eu e meus ministros jamais lhes assentiremos total confiança, por sabermos do instinto e ânsia de poderes mantidos entre suas têmporas. Eu e os meus, conscientes do que  nos poderá custar qualquer descuido, para mantermo-nos sempre atentos às entrelinhas de suas pregações, até nossas piscadas normais as reduziremos a um décimo.
E digo de mais concessões. Essas alas de homens de Deus, por formada de indivíduos sexualmente mal resolvidos, as deixaremos livres ao que mais lhes apraz: - o intenso desmerecimento à sexualidade humana e o estabelecimento do modelo de fornicação, a ser  imposto e obedecido pelos rebanhos: fornicar apenas para emprenhar. Qualquer algo mais será taxado de luxúria. E, sem embargos, por meio de seus olheiros, terão livre patrulhamento sobre “quem estará transando com quem”. 
Enquanto se distraiam com essas preocupações de nona prioridade, nós, os governantes, nos valeremos da distração fingida, para sugarmos o sangue e suor dos meus súditos produtivos. Esses, os manterei na condição de “renas da Groelândia”, sempre ameaçados pelos meus  improdutivos eleitores subornáveis, numa perfeita narcodemocracia participativa.
Permitirei que os poderosos ícones, dos quais você faz parte, passem horas e horas, anos e décadas, repetindo as mesmas fantasiosas estorinhas de tempos remotos, condenando o sexo, falando do faraó, de Moizés, David e Cristo - e pedindo dinheiro ao alienado povo, para um  Deus todo poderoso.
Outra importantíssima atribuição da qual encarregaremos esses homens e mulheres de Deus será  a de, em suas pregações, desviarem a atenção dos rebanhos, para longe da atuação dos nossos, do crime organizado. Para tanto, estarão  sempre culpando a falta de atenção e amor dos pais, por todas as desgraças que os nossos financiadores do narcotráfico causem a cada jovem e família da pátria amada.
Aos seus rebanhos (justa e santa metáfora!) jamais referirão a ação devastadora dos nossos agentes, muito menos  exigindo sejam exterminados, sem chances de retorno ao gerenciamento de nossas cracolândias, e discretas sucursais. Uma terceira função desses preciosos ícones terá cunho complementar às nossas atividades: a oferta de locais apropriados à desintoxicação dos que zuretaremos, por força e consumo das trouxinhas em promoção, por nós mantidas nas calçadas e praças de todos os bairros da augusta pátria. Essas santas instituições serão fontes de emprego improdutivo, subsidiadas pelas burras da pátria.
Uma quarta função desses ícones será a de, com veemência, senão aos berros, colocarem a ridículo, perante os rebanhos, qualquer ovelha que possa sugerir legislação estabelecendo julgamento sumário e pena capital aos incorrigíveis comandantes do crime coordenado, escondidos nos partidos políticos, no comércio, inclusive, atrás de testamentos religiosos.
E mais outra função – a predileta, a que mais lhes gera orgasmos nas masturbatórias pregações:– a perpétua difamação dos ateus conscientes e valorosos, ainda que, na maior cara de pau, estejam cotidianamente se valendo dos serviços e inventos dos que tanto infamam.
A simpatia, o alegre acolhimento, por parte dos rebanhos, serão fatores fundamentais a esses ícones, baluartes e  PhDs  das religiões, que deverão estar sempre a meu serviço, na pose de bonzinhos. 
Então, agora, sopese as recomendações que lhes darei, como veredas de sucesso: -- em relação a direitos (bônus) a serem reclamados contra a pátria, os ícones terão plena liberdade de informar os seus chipados. É simpático, muito simpático, anunciar direitos, ainda que vários possam ser de vezo injusto, até ridículo. 
Mas, e da contrapartida, ou seja, dos ônus cívicos, obrigações em favor da pátria? Que recomendarão aos rebanhos? Nada! absolutamente, nada! A esse respeito, permanecerão omissos. Porque dizer de deveres e obrigações gera antipatias nos enxames de  zangões.
Porém... ah, sim, em se tratando de obrigações para com suas igrejas e ícones de Deus... ahhhh... aí, simmm! À exaustão e gritos, serão todas exigidas, até com ameaças de assédios do Demônio sobre a carneirada...

O gringo, muito intrigado, após troca de olhares com seu sócio macaqueador, torna a se pronunciar, agora escancarando de vez a sua laje.

— Sir Pao Doce, custa-m' crer no que I estar ouvindo. Para vóce, como God se manifesta? Nao é por meio dos humanos por He iluminados?
— Gringo ... por suas barbichas! - veja. Se você põe a pergunta no singular, a resposta poderá lhe chegar correta.

— Com' ássim... na singular? Nao entender.
— Parece que, há anos, tenho gritado num deserto !  Quando o mundo vai crer no que, inutilmente, venho revelando sobre Deus?
Na primeira do singular, fica claro, conforme tenho dito: eu sou Deus. Assim sendo, falo por meu intermédio. Porque é só a mim que eu, verdadeiro Deus,  me ilumino, quando necessito radiar alguma verdade imutável a meu  respeito. Espero  não tenha lhe restado a menor dúvida.
Mas, estranho gringo... se você insiste em crer em outro deus que só manobra por meio de pilantras aqui na Terra, então, lanço-lhe uma definição exata, curta e grossa:
Deus é explicação de tudo aos crédulos; pelas mentiras, conforto às mentes inseguras; fonte de terror aos impressionáveis; fortuna ao charlatanismo religioso e místico...

— Stop! Stop! Excuse me interrompé-l’. Olhar... sir Pao Doce, a outros loucos quanto you, suas idéias até poderiam distrair como gracejos. Pelas sintomas, hoje o surto tomou-o por inteira. Mas... valer !  porque é de um people composto por millions and millions de retardados quanto vóce, que, we, homens de God, precisamos para nos dar bem, vendendo “God te abençoe” por todas as recantos, nao da your futura pátria, mas de um fantastic país de todos. Tome lá five dolars para um cofe e duas cochinhas. Passar bem, mister Pao Doce. Good-bye...
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